A abordagem do curso, a partir do pensamento de Michel Foucault, ampliou minha compreensão sobre as dinâmicas de poder presentes na Igreja e na sociedade. A reflexão sobre a microfísica do poder mostrou-me que o poder não está apenas nas estruturas formais, mas também se manifesta nas relações cotidianas, influenciando a maneira como as pessoas convivem, participam e exercem suas responsabilidades. Isso me levou a perceber a importância de construir relações mais horizontais, equilibradas e respeitosas.
Também foi muito significativa a reflexão de José Comblin sobre o cristianismo estrito, pois ajudou-me a superar uma compreensão da fé reduzida ao simples cumprimento de normas. Essa perspectiva nos convida a viver de forma mais autêntica a mensagem de Jesus, reconhecendo que a Igreja é humana, possui limitações e precisa estar em constante processo de conversão e renovação.
Ao mesmo tempo, essa reflexão provocou-me diante das formas de exercício do poder que ainda dificultam a escuta, o diálogo e a participação dos leigos na Igreja. Isso nos desafia a construir uma Igreja mais profética, humilde e participativa, na qual a autoridade seja compreendida como serviço.
Percebo também a necessidade de fortalecer o diálogo entre lideranças, movimentos e grupos pastorais, criando espaços de aproximação, escuta e articulação. A autoridade exercida como serviço pode favorecer uma participação mais efetiva dos batizados, valorizando seus dons, experiências e compromissos. Assim, a Igreja poderá avançar para uma vivência mais sinodal, fraterna, acolhedora e próxima das pessoas.